O SINTECT-SE está orientando os trabalhadores e trabalhadoras dos Correios a não aderirem ao novo Plano de Cargos e Salários (PCS/2026), implantado pela direção da ECT de forma unilateral e sem qualquer negociação com a representação sindical da categoria. O plano entrou em vigor no início de abril e já vem sendo alvo de críticas em todo o país pela forma autoritária como foi imposto pela empresa.
Para o sindicato, o novo PCS representa mais um ataque aos direitos históricos dos ecetistas e aprofunda a precarização das condições de trabalho dentro da empresa. Entre os pontos mais preocupantes está a criação do chamado “cargo amplo”, que transforma o trabalhador em um “faz-tudo”, permitindo o acúmulo de funções sem garantia de valorização profissional ou melhoria real na carreira.
O secretário-geral do SINTECT-SE, Jean Marcel, alerta que a proposta apresentada pela empresa tenta atrair os trabalhadores com promessas imediatas, mas esconde prejuízos futuros. “A orientação do sindicato é clara: não façam adesão ao novo PCS. A empresa vende uma falsa vantagem, mas o trabalhador perde segurança na carreira, passa a depender da situação financeira da ECT para ter progressão e fica ainda mais vulnerável ao acúmulo de funções”, destacou.
Para a representação dos trabalhadores, a estratégia da empresa é “encher os olhos” da categoria com ganhos imediatos, através de ajustes de referência salarial, enquanto oculta os impactos reais que surgirão no médio e longo prazo. Entre eles estão a perda da identidade dos cargos, o aumento das exigências sem qualquer contrapartida e a insegurança sobre a progressão profissional dentro da empresa. Para o sindicato, trata-se de um verdadeiro “canto da sereia”.
De acordo com informe divulgado pela FENTECT, a federação já acionou suas assessorias técnica e jurídica para realizar uma análise aprofundada do novo PCS implantado pela ECT. A entidade também informou que está construindo, junto aos sindicatos de todo o país, uma resposta unificada nacional para enfrentar mais esse ataque aos direitos dos trabalhadores dos Correios.
O sindicato também denuncia que, enquanto problemas graves seguem sem solução nas unidades — como falta de pessoal, sobrecarga, adoecimento e sucateamento das estruturas — a direção da empresa prefere atacar direitos e desmontar conquistas construídas historicamente pela categoria, como o PCCS 2008.
O SINTECT-SE reforça que seguirá mobilizado ao lado da FENTECT e dos sindicatos de todo o país para barrar mais esse retrocesso e defender a negociação coletiva, a valorização profissional e os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras dos Correios.

