A atual crise enfrentada pelos Correios é resultado direto de anos de má gestão e da falta de investimento na estrutura e valorização do trabalho, avaliou Jean Marcel, secretário-geral do SINTECT-SE, em entrevista concedida ao Jornal da Rio. Segundo ele, o chamado “plano de reestruturação” anunciado pela direção da empresa, que inclui a abertura de um novo PDV (Plano de Demissão Voluntária) e a tentativa de implantação da jornada 12×36, não enfrenta as verdadeiras causas da crise e tende a penalizar ainda mais os trabalhadores.
Jean destacou que a perda de contratos estratégicos, a ausência de um plano de modernização compatível com as novas dinâmicas do comércio eletrônico e a concorrência desleal com empresas privadas — muitas delas baseadas em modelos de precarização, sem encargos trabalhistas — agravaram o cenário. “Os Correios deixaram de investir quando se preparava a privatização. Hoje, falta desde sabão para lavar as mãos até combustível em algumas unidades”, afirmou.
O dirigente também criticou o formato do aporte financeiro de R$ 20 bilhões, feito pelo governo federal em forma de empréstimo à empresa. Para ele, sem um plano de reestruturação voltado à base e ao fortalecimento do serviço público, o valor pode aprofundar o endividamento e não resolver os problemas estruturais. “Mais uma vez, essa conta recai sobre os trabalhadores”, pontuou.
Jean reforçou ainda a preocupação com a saúde e segurança dos ecetistas diante da proposta de jornada 12×36. Segundo ele, a medida aumenta o risco de acidentes, especialmente entre carteiros motorizados, além de poder representar redução indireta de remuneração e perda de direitos históricos. “A crise dos Correios não é culpa dos trabalhadores, mas da gestão. Não aceitaremos que o preço da má administração seja pago por quem mantém essa empresa viva todos os dias”, concluiu.

