“Precisamos enterrar de vez Bolsonaro na lata de lixo da história”, diz Jean Marcel

0
1181

Por: Iracema Corso

Não faltam desafios para a nova diretoria do SINTECT/SE (Sindicato dos Trabalhadores dos Correios) que será empossada no dia 30 de Junho. Enquanto o Governo Bolsonaro e seus apoiadores no Congresso Nacional ameaçam Privatizar a empresa, a Covid já fez enorme estrago levando mais de 400 vidas entre trabalhadores dos Correios. Contra a privatização, o sucateamento e o descaso com a vida dos trabalhadores, o SINTECT/SE pretende responder com luta.

Jean Marcel, Secretário Geral do SINTECT/SE, concedeu entrevista ao site da CUT Sergipe onde fala sobre a luta contra a privatização, solidariedade, ampliação de pautas e a agenda de protestos em Sergipe e no Brasil que está sendo construída. Confira a entrevista.

CUT Sergipe – A diretoria vencedora das eleições do SINTECT/SE já assume o sindicato no Olho do Furacão. Qual a principal luta agora dos trabalhadores dos Correios neste momento?

Jean Marcel (SINTECT/SE)- A gente assume no olho do furacão, na luta contra o PL 591, a tentativa de privatização e quebra do monopólio dos Correios. É um projeto que está em ritmo acelerado. A gente vai ter que fazer esta luta, este enfrentamento.

CUT Sergipe – No dia 24 de fevereiro, Bolsonaro entregou pessoalmente o projeto de Privatização dos Correios na Câmara Federal. Nesta mesma data, a Câmara dos Deputados iniciou uma enquete on-line para saber a opinião da população sobre o PL 591. Até o presente momento, 94% dos brasileiros se manifestaram contrários à Privatização contra apenas 6% favoráveis ao projeto. A privatização dos Correios vai trazer quais malefícios para o Brasil e para Sergipe?

Aqui em Sergipe temos cerca de 714 trabalhadores dos Correios. Então se privatizar, estes empregos já estão em perigo. Éramos mais de 1000 antes de Temer e hoje estamos com pouco mais de 600. Daí você imagina a sobrecarga e toda a dificuldade de trabalhar. A situação de sucateamento é real e concreta. Com a pandemia, as entregas aumentaram e o pessoal que temos para o trabalho está quase reduzido à metade.

CUT Sergipe – E como está a luta dos trabalhadores dos Correios contra a Covid-19?

Jean Marcel – Os trabalhadores dos Correios, apesar de serem considerados essenciais, não foram contemplados no rol de vacinação do Ministério da Saúde. O governo federal não nos concedeu prioridade na vacinação. A categoria está muito exposta. Não temos informações precisas, pois a empresa tem falhado em transparência sobre a realidade dos trabalhadores contaminados por Covid. Sabemos que aproximadamente 400 trabalhadores em âmbito nacional perderam a vida para a Covid. Mas infelizmente acreditamos que o número real deve ser ainda maior.

CUT Sergipe – A empresa dos Correios está protegendo os trabalhadores contra a Covid?

Jean Marcel – Os trabalhadores estão literalmente lutando pela vida. Os trabalhadores sequer têm direito a uma máscara cedida pela empresa. Infelizmente a empresa tem deixado muito a desejar. Os trabalhadores estão na luta e na vanguarda para defender a empresa da privatização. Na luta em defesa dos seus empregos. Infelizmente isso tem sido muito difícil, os trabalhadores tem realmente pedido socorro.

Há muito acúmulo de trabalho. Vários colegas tiveram que ficar no trabalho remoto para se proteger da Covid e quem ficou no presencial está sobrecarregado. Quem não adoece de Covid, adoece com a sobrecarga de trabalho. Cada carteiro tem que entregar centenas de objetos por dia. É um volume de trabalho muito grande, com pressão psicológica, sem EPI e sem condições de trabalho.

Para você ter uma ideia, tem carteiros em cidades do interior que atuam em vários municípios. Por exemplo, na segunda entregam em Estância, na terça este trabalhador entrega em Arauá, na quarta ele vai para Santa Luzia. Isso acontece por falta de funcionários. Os trabalhadores acabam sendo realocados, o que gera prejuízos para o trabalhador e prejudica sua saúde. Além da sobrecarga do funcionário, os municípios ficam sem o serviço postal diário; ou seja: isso adoece o trabalhador e a população fica sem o serviço.

Estamos vivendo uma fase muito complicada. Este governo está aí para tirar da mão do povo a soberania, a dignidade das famílias trabalhadoras e acabar com as empresas públicas.

CUT Sergipe – Os trabalhadores dos Correios estão engajados na luta contra a Privatização da empresa?

Jean Marcel – Esta diretoria quer ampliar nosso trabalho de comunicação interna e externamente para dialogar com a população, como o Sintese e outros sindicatos fazem muito bem, colocando outdoors pela cidade. Não podemos deixar de nos manifestar.

Internamente é necessário que o SINTECT e os trabalhadores dos Correios entendam que precisamos ampliar nossas lutas. São inaceitáveis os despejos do Governo de Sergipe contra a população sem teto durante a pandemia. O momento é crítico para todos. Os aposentados estão sofrendo as consequências da Reforma da Previdência e até o direito de se aposentar foi roubado da população. A solidariedade contra a fome crescente, contra o machismo assassino, contra o racismo estrutural é o caminho para nos unirmos e fortalecermos a luta. O Brasil está sendo destruído. Precisamos enterrar de vez Bolsonaro na lata de lixo da história, que é o lugar dele.

CUT Sergipe – De que maneira a população e os demais sindicatos podem prestar apoio à luta contra a privatização dos Correios?

Jean Marcel – Vamos pedir o apoio da população para que pressione o deputado, seu líder parlamentar. Como sindicato, iremos dialogar nos locais de trabalho. É preciso lembrar à população quem está votando pela privatização, não só dos Correios, mas nas reformas que acabam com os direitos e com o acesso ao serviço público.

CUT Sergipe – Como esta nova diretoria pretende agir nesta gestão que se inicia?

Jean Marcel – Fortalecendo a comunicação sindical e com luta, carro de som, protestos… A luta contra a privatização dos Correios não começou agora. E o momento é de fortalecer esta luta. Em plena pandemia, enfrentamos todos os dias ônibus lotados. Dentro da empresa, o distanciamento não é respeitado. Por isso não podemos nos calar, não podemos abrir mão de protestar contra a privatização dos Correios. Com toda proteção, álcool em gel, distanciamento, iremos à luta!